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quinta-feira, abril 01, 2010

Dona Ruth

Minha avó faleceu nessa semana, mais especificamente na terça-feira, dia 30 de março de 2010.
Já contei algumas histórias dela aqui, e provavelmente irei repetir coisas, mas contando que ninguém acompanha isso aqui, fica apenas gravado como uma homenagem a minha querida vó.

Eu, como já foi falado aqui, era o cabritinho da vovó, lembro muito bem como esse apelido veio. Quando éramos crianças gostávamos de brincar na casa dela. Por vários motivos íamos lá, ela tinha praticamente um museu naquela casa. Cheio de coisas velhas que gostávamos de futucar. Mas o ápice vinha quando ela chegava, ficava longe da gente e perguntava pra gente "Cabritinho quer chocolate?" e a gente fazia "béééé" em afirmação. E ela fazia mil e uma perguntas, enquanto eu e meus irmãos ficávamos pulando e dizendo bé.
Lembro dos moedores de grãos que ela tinha, aquilo tinha uma capacidade de nos entreter por horas seguidas, bastava ela ter milho pra gente jogar no moedor e ver virando pó. Tinha também os volantes de carro que meu avô guardava sei lá pra que, pegávamos aqueles volantes e ficávamos dirigindo balançando na rede...
Outra coisa que nunca vou me esquecer da minha avó é do seu jeito de tratar resfriados. Aliás, quando crescemos percebemos que não era só pra resfriado, mas pra qualquer tipo de doença: o negócio era molhar álcool num lenço e enrolar em nossa garganta. Interessante é que, eu particularmente adorava quando tinha álcool no meu pescoço. Tenho até umas fotos de criança com lenço enrolado no pescoço.
E minha avó botava tanta fé no álcool, que sobrava até pros cachorros dela. Era só eles esboçarem um resfriado - convenhamos que isso é raro pra um cachorro, que ela os enfeitava com um lenço alcoolizado.

Por falar em animais, ela também gostava muito deles. Possuía muitos passarinhos, cachorros e teve alguns gatos. Também teve jabutis e papagaios. Acho que minha afeição por animais foi influência direta dela.

Minha avó era uma avó carinhosa, amorosa, e como qualquer velha, tinha suas manias. Agora, nunca vou me esquecer da surra que ela deu no meu irmão mais novo. Uma vez ele inventou de imitá-la, porque ela falava "um cadinho" quando queria dizer que era só um pouco. Naquele dia eu tive medo dela... tadinho de pedrinho, apanhou de uma velhinha.

É estranho pensar na morte dela, porque ela sempre existiu na minha vida, é como o Michael Jackson, a gente não espera a morte dessas pessoas. A gente nunca pensa que ela vai morrer "agora". Que sempre vai morrer num futuro... E o futuro dela terminou na terça.

Sei que ela está bem agora, a doença que ela desenvolveu foi destruindo sua vida e c0m certeza ela não devia ser feliz naquele leito de hospital.

Sabe dona Ruth, você foi uma boa avó, tenho várias lembranças doces da senhora, um dia espero ser um avô melhor do que você foi pra mim. Sempre carinhosa, com seu jeito de mostrar o carinho daquele jeito diferente: enfiando seu nariz no meu olho.

Nunca vou me esquecer de seus provérbios vovó: Mulher feia? Pó matar que é bixo!
Bom, então é isso... amava a senhora.

domingo, fevereiro 28, 2010

Um humilhação aleatória


Ontem, após um esporro homérico recebido por uma pessoa que eu amo, fui dormir pensativo.
Lembrei de quando fui humilhado pelas costas para mais de 30 pessoas.

Bom, não eram bem "pessoas", eram apenas pré-adolescentes, mas eles estavam chegando lá. Em 2007 eu me aventurei em ser professor substituto no estado, dei aula de matemática por 2 semanas para umas 10 turmas (ou mais). E a turma da oitava série era a maior que eu tinha, deviam ter uns 40 alunos na pauta.

Então lá estava eu, dando aula de geometria quando percebo duas crianças se levantando da cadeira e vindo em minha direção. Logo em seguida ouço a risada da turma toda. Quando olho pra trás, estavam 2 meninas fazendo a dança do siri atrás de mim.

As antas não perceberam que eu estava olhando para elas e continuaram dançando enquanto eu fiquei de braços cruzados apreciando a cena. Na minha cabeça eu me perguntei: porque? Afinal de contas, eu era muito gente boa com aqueles pequenos indigentes.

Agora, eu senti algo que talvez só quem é professor sabe bem o que é. Não me importei, não fiquei ressentido e não descontei na hora da prova. Apenas chamei a diretora, ela deu um esporro homérico neles (como o que eu recebi ontem) e eu continuei minha aula. Uma das meninas que fez a dança do siri era bem burrinha mas esforçada, sentava na frente e me perguntava o tempo todo... e lá estava eu, sempre pronto pra ajudá-la.

Quero manda um paty-beijo pra Priscila que me abriu os olhos ontem. Fiquem com Deus, democráticos.

domingo, maio 24, 2009

Coisas que só eu...

Estava ali sentado, pensando com meus botões, sobre um comentário dirigido a minha pessa dias atrás, me disseram que era questionador e tinha uma mente muito lógica, que eu precisava ver um sentido em tudo que era me mostrado e gostava de entender tudo, se eu não entendesse eu não ficava satisfeito. Enfim, isso me fez lembrar de um caso, que ao pensar sobre como eu pensava, vejo como eu sou "estranho" em algumas coisas.

Deixe-me explicar, eu tenho uma mania de ficar encucado com coisas que não me fazem sentido, e não importa quanto tempo passar, se me contarem algo ou se ler algo e eu não conseguir ver o sentido ou se eu não consegui entender na hora, isso eventualmente volta ao meu pensamento e eu fico ruminando a questão em si.

Mas o engraçado é que o tempo vai passando e as coisas que aparantemente não faziam sentido ou não eram compreendidas por mim, quando voltam à minha mente eu consigo resolver o mistério.
Mas o pobrema é quando eu vejo que não tem lógica mesmo e a coisa fica ali meio que me perturbando e eu fico pensando "meu Deus, mas que coisa sem noção".

Ilustrarei com dois exemplos:
Semana passada estava na hora da minha leitura diária da Bíblia, quando me lembrei de um fato quando era criança, eu abria a Bíblia e via "Versão Revista e Corrigida", algo assim. Eu entendia o "corrigida" mas o tal de "revista", eu quase morria pra entender, afinal, não fazia sentido nenhum, o que a Bíblia tinha em comum com uma revista? Eu lia o revista e pensava "talvez a Bíblia fosse antes diferente, e aí eles tentaram deixar parecido com modelo de revista pra ficar melhor pra ler". Eu tentava de todos os jeitos criar argumentos lógicos para o "revista" ali e nunca conseguia me convencer. É claro que nessa época eu tinha uns 7 anos, ou até menos. Mas semana passada eu me lembrei disso e tive a revelação, o "revista" significava que ela foi vista novamente, revisada, e então corrigida, como estava escrito, "revista e corrigida".

Agora, o que me inspirou pra escrever tamanho texto foi o de hoje. Nesse caso é o exemplo contrário do que acontece, quando não faz sentido mesmo e pra mim coisas que não fazem sentido não tem graça. Eu não me divirto, por exemplo, com filmes estilo James Bond, onde ele faz coisas que desafiam todos os tipos de leis, leis da física, leis do bom-senso, leis do caramba! hahahahaha, é simplesmente ridículo, minha mente não consegue aceitar esse tipo de coisa, então quando assisto a um filme do tipo, eu fico questionando "olha isso, mas como?".
Mas realmente, sou chato mesmo, mas voltando ao assunto, lembro-me que no ensino fundamental, a tia Keylla sempre passava textos pra gente trabalhar interpretação e aquelas coisas gramaticais que eu me orgulho em não saber nada. E um texto que ficou marcado em minha vida foi o da velhinha com a lambreta. Você conhece essa história? Era o seguinte, havia uma alfândega no meio da estrada, e sempre passava uma velhinha com uma lambreta e um saco de areia, e o policial sempre suspeitava que ela contrabandeava alguma coisa, mas não conseguia descobrir o que era, afinal, era somente ela, a lambreta e um saco de areia. Cansado de para-la e não ter como provar seu ponto, o policial desabafa um dia com ela, foi algo assim:
- Olha minha senhora, eu sei que você está contrabandeando alguma coisa, pode me falar que eu não vou prende-la, deixo você continuar fazendo isso, mas mata a minha curiosidade.
- Você promete não me prender?
- Sim
- É lambreta.

Bom, era uma piadinha bem boba, lembro que na época eu nem tinha noção do que era contrabando, alfândega e etc. Em casa fui perguntar pro meu pai o que era aquilo tudo, mas enfim, por anos eu não conseguia aceitar essa história, haviam muitos absurdos, como por exemplo o final dela, eu lembro que eu pensava "como pode a velha ter contado pra ele e ele ia deixar ela continuar fazendo isso assim? E só porque ele estava curioso ela iria ser tão amável a ponto de se entregar por causa de um capricho do policial?". E juro, essas perguntas me atormentavam, e passavam anos e eu ficava pensando "E como ele não reparava que a lambreta era sempre nova? Será que eram sempre da mesma cor? E se ela contrabandeava lambreta, ela passava de ônibus e voltava de lambreta, será que ele não percebia que sempre a via voltando e não indo? E será que tinham tantos compradores de lambreta assim pra ela estar sempre contrabandeando?". Juro que essas perguntas foram aparecendo em minha cabeça nesses anos todos em que ruminei essa história.

Mas hoje tive a luz final sobre esse caso e encerrei todas minhas ruminações sobre essa história sem noção. Hoje percebi que não existem argumentos lógicos para sustentar essa piada e por isso eu digo que ela não tem graça nenhuma. Hoje eu pensei "Toda vez que ela era parada, ela tinha que mostrar o documento da lambreta, era muito fácil ele saber que ela era contrabandeada, afinal, no mínimo teria documento falsificado".

Pronto, fim da história, um peso de anos saiu das minhas costas e estou tão feliz que quis compartilhar aqui. Bom domingo.

quarta-feira, maio 06, 2009

Saudades

Recordar é viver?
Esses dias sonhei que estava voltando aos EUA e isso me fez pensar nos momentos que passei por lá. Tantas coisinhas que vi e vivi, muitas experiências eu tive, até do cuidado de Deus para com a minha vida.
Mas gostaria de eternizar aqui algumas coisinhas pequenas que vi por lá, talvez na época eu postei por aqui, mas como eu mando e estou afim de relembrar, eu vou escrever.

- Até em NY existem bolivianos tocadores de flauta, como na nossa linda praça dos namorados. Mas como tudo nos EUA, eles são muito mais sofisticados, até uma bateria eles levam pros lugares que vão se apresentar e vender CDs. Foi um momento latrino ímpar que tive enquanto descia pro metrô e topava com eles.

- Ir do aeroporto de NY para o albergue que eu tinha reservado um quarto de táxi era muito caro, logo, existia um serviço de van que levava as pessoas para seus destinos. Pra variar comigo tudo tinha que ser complicado, então na minha vez, depois de esperar MUITAS horas para conseguir uma vaga, mesmo assim o sistema errou e tinha mais gente do que vaga dentro da van, o que aconteceu? O brasileiro latino inutil teve que ficar esperando a próxima van, certo? Errado, todos se amontoaram lá dentro, foi quase uma feira, e digo isso pela quantidade de mulheres que tinham lá dentro, aliás, senhoras.
O legal foi que todos estavam de bom humor e brincaram com a situação, mas lá estava eu, um latrino no meio de um monte de americanas, só tinha eu de homem, o motorista mexicano e um francês, ou seja, basicamente eu e o mexicano de homens.
Não demorou muito e as atenções vieram pra mim, depois de tentarem conversar com o francês, me notaram e começou a chover várias cantadas daquelas senhoras americanas para a minha pessoa. Falei que era brasileiro e o clima pegou fogo, perguntaram se eu não queria passar a páscoa com elas e etc. Tinha uma que era bem bonita, devia ter uns 38 anos mas era muito bonita, mas ela era a mais recatada, embora ficava me olhando basante...hahahahah! Quase a convidei para ir ao teatro comigo, mas minha timidez me venceu, ou o meu bom senso, vai saber.

Enfim, foi muito divertido conversar com aquelas mulheres, minha ansiedade por estar na Big Apple sumiu e lá estava eu contando histórias divertidas de como eu caçava jacarés no rio que passava perto da minha casa no Brasil, ou de como meu macaco Flik era inteligente...

Lembro com muito carinho da minha primeira tentativa de fazer um boneco de neve, que logicamente foi em vão, ô coisinha complicada, a neve tem de estar num ponto exato para ser fácil de ser montado... pra variar nós latrinos não sabíamos disso e tentávamos em vão fazer um boneco.

Lembro que os supermercados não eram permitidos vender bebidas alcoólicas acima de um certo teor alcoólico. O máximo que se vendia lá era vinho, acima disso só em lojas para bebidas. Então o que encontrávamos lá além de vinho, cerveja, keep coolers e etc? Vodka light.... sim, até cheguei a comprar. Era uma vodka diluída, com 10% de teor alcoólico.

Muitas coisinhas especiais eu vi e vivi por lá, e como recordar é viver, queria dizer que sinto muitas saudades daquele tempo.

sábado, dezembro 20, 2008

No estrangeiro

- Ô mãe, vê se me manda um dinheiro que eu tô no banheiro e não tem nem papel pra cagar.

Essa lírica profunda foi entoada por Rodolfo quando ele fazia parte dos Raimundos, e não sei porque estive pensando nela esses dias. O mais curioso é que ela me fez pensar em um momento especial da minha vida. Assim como a música trata de um cara que estava todo ferrado no exterior e passando por dificuldades financeiras, também tive algumas dificuldades por lá.

O papel higiênico lá era muito caro. Assim, não tão caro, mas para um grupo de estudantes aventureiros que estavam querendo economizar o máximo possível, era um luxo que não cabia no orçamento. Na verdade era caro sim, mas podíamos pagar mas não queríamos pagar. Enfim, vocês entenderam.

Mas então o que fazíamos? Não nos limpávamos? Dã! Logicamente dávamos nossos pulos. Aliás, eu dava os pulos.
Como eu trabalhava numa estaçao de ski e num supermercado a noite, esses lugares tinham banheiro, e era lá que eu usava, e nosso banheiro de casa era exclusivo pra líquidos. Mentira! Nada disso, como em todos lugares haviam banheiro e eu tinha uma mochila, a parada era entrar no banheiro com mochila e por "mero descuido" deixar cair um dos rolos fechados de papel dentro da minha mochila. Aí quando eu chegava em casa e ia arrumar minha mochila, lá estava o papel me dando uma surpresa! Aí eu ia e pensava "já que você está aqui, será bem utilizado".

E era assim que "de vez em sempre" tomava uns sustos com papel higiênico na minha mochila e ficava impossibilitado de gastar 6 dollares em um pacote de papel higiênico. Eu precisava falar isso porque estava na minha mente, tinha de colocar pra fora. O mais interessante era ver como era divertido usar o banheiro da estação de ski e ganhar de brinde um rolo de papel higiênico! Obrigado América!

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Ilha de Marajó

Papeando de bobeira com uma amiga - Prix Zix - e aproveitando que já escrevi sobre fatos da infância, fui lembrado de mais um que por motivos de força maior não compartilhei nesse humilde espaço de memórias inúteis.

Na verdade eu já quis escrever sobre tal, e até mesmo minha mente me diz que já escrevi, mas procurei aqui e não achei. E como ninguém lembra mesmo o que escrevo, e nem eu, hei de escrever novamente ou pela primeira vez.

Lembro quando era criança - e realmente, tenho certeza que já escrevi isso aqui - eu estava aprendendo na segunda ou terceira série em estudos sociais sobre o território brasileiro - foi na mesma época que pintei o quadro - e comecei a ter contato com mapas.

Que emoção que era, ver o Espirito Santo em sua humilde forma de larva. Ver os outros estados, lembro que olhava pra Bahia e via que era o mapa do Brazil em miniatura, lembro que via o Piauí e pensava logo num pedaço de cocô que meu cachorro costumava soltar. Enfim, era sempre muito divertido brincar de pintar os estados brasileiros.

Nessa época meu pai comprou um brinquedo educativo, era um mapa que tinha todos os estados tipo quebra-cabeça e também tinha as regiões.

E nessa fome de conhecer mais que existia em meu ser, eu vivia fazendo perguntas pro meu pai. Lembro que num fatídico dia, enquanto íamos em direção a escola, passando pela Dante Michelini reparei aquela pequena ilha que fica ali na altura de Jardim da Penha. Minha língua coçou, não raciocinei direito e soltei a pergunta:
- Pai, aquela é a Ilha de Marajó?

Pobre criança... meu pai me explicou e foi nesse pequeno deslize que eu fui entender o que era um mapa de verdade. E que não tinha cabimento minha pergunta idiota.
Mas enfim, tantas coisas aconteceram na Dante Michelini. Lembro que passávamos por lá e ao ver o reflexo de sol nas ondinhas que se quebravam pelo meio do mar, meu pai dizia "olha os peixes de cabeça branca". E por quanto tempo acreditei nisso... aquele velho duma figa!

Enfim, minha infância. Saudades.

Memórias

Estava procurando uns cabos aqui em casa e olha o que encontrei.



Quadro pintado por mim, inspirado em algum livro infantil, de quando eu tinha 9 ou 8 anos, provavelmente estava na terceira ou segunda série do primário quando fiz essa obra de arte.

Lembro perfeitamente desse dia em que resolvemos pintar, minha mãe sentou com a gente e nos ajudou em tudo, acho que a única coisa que fiz sozinho foi passar o desenho do livro para a tela, mas tenho lá minhas dúvidas. Mas foi a velhota quem deu os retoques principais depois que eu pintei o grosso do quadro. Depois de pronto, tudo que queríamos fazer era levar pra escola e mostrar pra professora para receber elogios. Lembro que ficava com a consciência pesada em dizer que tinha sido eu quem havia pintado, porque na verdade minha mãe tinha feito a "arte-final" do quadro e era evidente isso. Creio que na verdade eu queria os elogios apenas para mim. Como era bobo. Nostalgia.

Quando eu morrer e ficar super famoso, poderá render milhões para meus herdeiros. E não preciso comentar que o pé do bichinho parece uma mão, por isso tenho minhas dúvidas quanto a autoria do desenho, acho que por mais criança que eu fosse, não cometeria tal erro. Francamente velhota! hahahahahaha

UPDATE: Lembrei o que significa esse pássaro, era uma história de um pombo-correio, eu gostava muito dessa história não me lembro exatamente o que. Uma das minhas frustrações quanto a esse quadro é que isso tá mais pra rolinha do que pra um pombo. Aliás, isso pode ser qualquer coisa, menos um pombo! hahahahah

quarta-feira, novembro 26, 2008

Arrulhando coisas sem sentido

Estava eu a arrulhar numa conversa de MSN:
É engraçado como nossos sonhos vão embora enquanto vamos crescendo. Eu não quero mais ser um astronauta... só quero dinheiro. As obrigações do dia-a-dia me fizeram um homem, mas se eu ainda quiser ser um astronauta, não é tarde demais.
Mas tudo bem, quem sou eu ou você pra dizer o que é certo ou errado? Você sente isso também?

Sabe o que me deixa "indignado", é que enquanto vamos crescendo, vamos aprendendo que as coisas não são tão simples quanto nos disseram que eram. Como assim? Assim, eu lembro que aprendi em Ciências quando estava no jardim II que a terra era redonda, e assim ela foi redonda em minha mente até a quinta série, quando aprendi que ela era achatada nos pólos, ou seja, ela não era tão redonda assim.
Depois aprendi que ela era um Geóide na faculdade, não fazia apenas 2 movimentos (translação e rotação) e sim mais de 15...

Poxa, porque mentiram minha infância toda? Isso é frustrante! Igual com história, eu até hoje me lembro da "linha da história" que a professora da quarta série fazia: antes da primeira carta escrita aqui no Brasil por Pero Vaz de Caminha, tinhamos a pré-história. Isso eu nunca compreendi bem, eu ficava pensando "Como assim pré-história? Dinossauros? Homem das cavernas?" - Desde aquela época já tinha um espírito um pouco questionador, só um pouco.

E juro que essas lembranças me incomodaram por muito tempo, até pouco tempo atrás, quando eu lembro disso eu fico pensando, "mas como ela dizia isso? será que ela dizia que era pré-história por não nos interessar?" provavelmente sim, mas isso eu não lembro.

Coisas que eu sempre quis desabafar mas que nunca tinha pra quem falar, agora eu falo pra você, blogger.com, meu companheiro ouvido fiel, que nunca reclama do que estou falando e está sempre de ouvidos abertos para o que eu quiser falar.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Coisinhas

Estava pensando esses dias de coisas estranhas, pra não dizer bizarras, que já aconteceram aqui em casa. Esses dias chegou uma empregada nova aqui em casa - que já sumiu por sinal, e lembrei de algumas figuras que passaram por aqui. Como minha casa é um pouco grande e eu e meus irmãos exímios bagunceiros, é difícil delas aguentarem.

Então acabei me lembrando de uma que trabalhou aqui que tinha o hábito de roubar bife. Ela fritava os bifes, pegava um saco e separava alguns pra degustar mais tarde em casa. Uma vez estávamos almoçando e eu fui dar uma olhada, pois estava desconfiando da quantidade de bife que ia pra mesa e o de quanto minha mãe cortava pra mulher fritar. Disfarçadamente fui em direção da pia e vi os bifes empacotados na sacola. Isso já aconteceu com mais alguém?
Essa mesma mulher não contente em apenas surrupiar bifes, começou a roubar outras coisinhas e roubou até o cofrinho que Pedroquinha enchia havia anos. Pobre Pedro, nunca mais teve coragem de fazer um cofrinho.

Teve outra que roubava desodorante... masculino. Acho que ela gostava de cheirar igual a homem, não sei. Mas foi uma situação meio bizarra.

Outra situação bizarra que presenciei foi numa loja de venda de CDs. Viajamos para Santa Maria de Jetibá, interior do Espírito Santo e entramos numa loja de CD - até porque não tinha nada de interessante pra ver naquele centro. Por incrível que pareça, lá estava pra vender o último álbum do Angra (daquela época), e Tiago, um entusiasta dessa banda, resolveu comprá-lo. Na hora de pagar, a atendente perguntou:
- Vai querer levar o original ou a cópia?
Dá pra crer que naquele fim de mundo a própria loja de CDs falsificava e vendia?

Aí está uma imagem tosca de uma família empolgada tirando fotos.



Cheers.

domingo, fevereiro 17, 2008

Don't waste your time


Como minhas idéias evaporam no exato momento que me acomodo na frente do monitor, vou compartilhar aqui fatos de total desinteresse de vocês.
Eu sempre tive uma memória boa, hoje em dia ela está meio seletiva mas já funcionou bem melhor. Lembro do primeiro clip que assisti na MTV, não sei o que havia acontecido que passei o final de semana fora de casa, meu irmão havia operado do joelho e nesse período instalaram tv a cabo lá em casa em floripa. Acordei no dia seguinte cedo, nessa época eu acordava cedo por conta própria, e fui dar uma olhada nos canais da televisão. Deitei, me aninhei no sofá e apertei o botão do controle remoto.

Nessa época eu era um pré-adolescente cheio de sonhos e ideais para lutar, tinha um coração puro e acreditava nas pessoas. Eu era um bom menino.
Sucedeu que o primeiro clip que pude ver me marcou tanto que nunca pude esquecer. O primeiro clip que assisti foi ao clip do Simply Red - Say You Love. Lembro como se fosse hoje, eu assisti ao clip e gostei daquelas velhas segurando fotos de homens, de certo eram viúvas. Gostei dos sorrisos das pessoas humildes que apareciam pelo clip, gostei da lírica da música, enfim, me comoveu. A única coisa que não gostei e por motivos óbvios foi do cantor, o curioso é que, naquela época piercing nem era algo tão famoso por aqui e o cara do Simply Red tinha um no dente. Será que aquele esquisito foi o precursor dessa frescura?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Lembranças

Depois do belo descanso pelo Rio de Janeiro, ver que a parte rica da cidade é realmente bonita, me emocionar com um menino de rua de uns 7 anos pedindo esmola para um motoqueiro numa "humble" Harley Davidson, perceber que apesar do sotaque meio homosexual os cariocas são simpáticos, constatar que em meio de milhões de habitantes raras são as espécies do sexo feminino que podemos dizer que são bonitas, suspeitar que os cariocas não tem noção de quanto se deve pagar por uma garrafa de cerveja - 5 reais numa skol, depois disso tudo, o que ficou na minha mente dessa incrível viagem foi uma lembrança de minha infância, mais precisamente uma música.
Não me recordo o nome da música, o nome do LP, só lembro que eram músicas infantis e que eu gostava muito.

"Jaboti preguiçoso, anda muito devagar, leva a casa nas costas pra não ter que voltar. Gosta muito de uma sombra, de água fresca e de comer. É um bicho muito feio mas gostoso de se ver.
Cabeça e pernas esconde quando vê algum perigo é assim que se defende de quem é seu inimigo.
Maaaas um dia aconteceu uma coisa de espantar, jaboti andou depressa, namorada a encontrar. Então o preguiçoso começou a se esforçar, para ter uma família é preciso trabalhar.
Então o preguiçoso começou a se esforçar, para ter uma família é preciso trabalhaaaar, trabalhaaaar, trabalhaaar, trabalhaaaar".

FIM

Algumas imagens de coisas que só vemos pelo Rio.


Super carro tunado



adesivo esbanjando bom-gosto

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Trabalhos

Meu pai me contou uma história por alto de um aluno de mestrado ou doutorado da época em que ele fazia o doutorado dele, que, ao defender sua tese pra banca, tinha colocado no final da mesma alguma observação do tipo: Se você chegou até aqui, me cobra uma cerveja depois da defesa.
O que aconteceu? Apenas um professor fez essa observação e cobrou dele a cerveja. Logo, o que poderíamos pensar? Nenhum outro professor da banca de fato leu o trabalho.

Pensando nisso, lembrei de várias lendas urbanas que envolvem esse tipo de coisa. Quem nunca ouviu falar de aluno que no desenvolvimento do trabalho colocou receita de bolo e o professor assim mesmo avaliou? Ou de alunos que entregaram o mesmo trabalho e uns tiraram notas boas e outros notas baixas?

Quando estava no segundo ano do ensino médio, amedrontado por essas lendas e impulsionado pela preguiça de fazer o trabalho e ainda ter o desprazer de fazer a toa, eu e meu irmão tivemos a idéia de fazer algo parecido. Colocamos em alguma parte do trabalho a seguinte observaçao: Se está lendo, marque um X. Algo desse tipo.
Quando recebemos o trabalho, lá estava uma nota bem vermelha, um 2 ou 3 e uma observação:
- Não só marquei um x no lugar certo como também marquei sua nota baixa no meu diário.
Foi realmente decepcionante. Nunca tive como comprovar essa lenda urbana, pois não tive coragem de repetir o feito. É claro que depois de muito choro o professor resolveu dar uma nota certa pro nosso trabalho.

Então é isso amiguinhos, lendas urbanas não são conhecidas para serem conferidas!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Apertos

Extendendo sobre minha experiência como docente, tenho algo a relatar. Aliás, tinha muitas coisas mas a preguiça, a falta de interesse e até mesmo de leitores me faz encurtar as histórias.

Falei sobre a "sementinha do mal" em quase todas minhas turmas né? Tive um pequeno "problema" com isso.
Confesso que era triste ver aqueles pequenos projetos de homossexuais na sala de aula, ainda mais que alguns colegas de sala eram muito escrotos e os recriminavam sem dó e piedade. Na sétima série tinha um que era o mais afeminado de todos, e não bastando isso, era um péssimo aluno que só ficava conversando na sala de aula.
Nessa turma as coisas eram bizarras, os alunos eram verdadeiros "anjos" com muita energia pra gastar dentro da sala, logo os atritos entre eles eram frequentes.
O menino-menina sempre arranjava confusão com os outros garotos e o que os outros falavam? "Cala a boca seu gay! Nossa, tá fedendo a gay essa sala não tá?" e o pobre garota nem se pronunciava. As vezes ele ia abrir a boca (era o que ele mais sabia fazer) e a galera já soltava uma dessas pra ele. Era triste mas ao mesmo tempo engraçado.

O meu "problema" foi com um da oitava série. Sempre que eu chegava nessa turma ficava rodeado de meninas em volta de mim, querendo me ajudar a fazer chamada, apagar quadro, perguntar como eu estava e etc. Só que nessa sala também tinha a pequena sementinha né, e o "problema" começou quando eu vi que além de meninas em volta de mim todo o dia, lá estava o pequeno garota marcando ponto. Po, aí também já é demais, virei e disse:

- O que você está fazendo aqui heim?! (com voz de professor autoritário)
- Nada. (com voz efeminada)
- Vai sentar rapaz! Estou fazendo chamada! Vai pro seu lugar!

Nesse momento percebi que eu poderia transparecer homofóbico, então virei pras meninas e falei:
- Vocês também! Sentem todas! Parem de conversar, a aula já começou!

Aí a mais bonitinha da sala falou "ai professor, estou aqui te ajudando a fazer chamada, depois eu sento", como ela era bonitinha eu disse "tá bom" e continuei a chamada.

FIM

segunda-feira, outubro 15, 2007

Experiência como Docente

Tive a oportunidade de ser professor substituto de matemática por 2 semanas em turmas de ensino fundamental (de sexta a oitava série) e ensino médio (1° a 3° ano) em uma escola do Estado.

Foi uma experiência muito interessante, aprendi bastante coisa e pensei no meu passado como aluno pré-adolescente.

Lembro que na primeira aula minhas mãos tremiam de nervoso.

A coisa mais tensa pra mim foi perceber que:

- As crianças de hoje em dia não pensam que são crianças e querem fazer coisas de adultos, como por exemplo, se insinuarem para mim;
- Praticamente todas as turmas tinha um pequeno homossexual. (A sementinha do mal).

O mundo está perdido.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Memórias



8 de Abril, páscoa, já se passava das 4 da tarde e eu ansioso pra minha volta ao Brasil. Não me lembro que horas meu avião iria decolar.
Chego ao aeroporto enorme, com não sei quantos terminais e me dirijo ao terminal da American Airlines. Nem preciso comentar que era o mais ferrado e esculhambado. Tudo em reformas, tudo aparentando muito velho e sem cuidado nenhum.
Havia passado sexta, sábado e domingo em NYC, dormindo em um albergue não muito limpo, isso significa que não usei o banheiro né? 3 dias sem dar as caras pro trono.
Eu imaginando que o aeroporto seria uma beleza de limpo e que lá poderia defecar sossegado. Doce ilusão. Mas estava lá e minha barriga já nao aguentava mais armazenar fezes.

Antes de falar sobre isso, lembro que fiz considerações sobre o estado do terminal da AA. Porque ele estava tão capenga. A conclusão foi que, por ser um terminal frequentado por muitos brasileiros, quem se importa com o conforto de cidadãos do terceiro mundo? Afinal, já moram no Brasil, então pa que pressa para modernizá-lo e deixá-lo com aparência de primeiro mundo? Ele vai ser usado por latinos mesmo. E não duvido que seja isso mesmo.

Bom, me dirigi ao banheiro e minha barriga já estava se sentindo feliz, o banheiro era grande, a portinha não tapava tudo, mas no estado em que eu me encontrava, isso não iria me incomodar. Eis que olho pro lado e vejo muitas coisas escritas, desde insultos a Bush a frases anti-semitas. Mas eis que algo bem em pequeno me chamou atenção. Lá estava escrito "Se você está lendo isso nessa posição é porque tá numa caganeira nervosa". Só pude rir, pegar uma caneta em minha mochila e escrever "Tô mesmo! 08/4/07". Me empolguei com a idéia de deixar minha marca em área internacional e escrevi em outro canto "Lucas cagou aqui".

E essa foi minha experiência com vandalismo na terra do Tio Sam. Até a reforma no terminal da AA acontecer, muitos brasileiros com caganeira irão ler minhas palavras e certamente serão encorajados a escrever algo.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Minha vó

Já contei isso para meus amigos, mas vou escrever assim mesmo e deixar pra posteridade. Lembra da minha vó que as vezes caduca e inventa histórias da nossa infância? Pois bem, da última vez que falei sobre ela omiti outro fato.
Sempre que vamos a casa dela, além de ver as mesmas fotos que estão em cima do mesmo armário e ouvir as mesmas histórias, as vezes ouvimos algumas revelações fantásticas, não me esquecendo dos rituais que enfretamos todas as vezes. Sim, rituais.

Os ritos acontecem sempre entre as histórias de nossa infância. Ao término de uma história quase sempre rola o famigerado "você é de quem?" onde tenho que responder "da vovó!" caso contrário ela continua perguntando enquanto num gesto de carinho diferente ela enfia seu nariz na minha cavidade ocular.
O outro rito é perguntar "você é o cabritinho da vovó?" e logo respondo "sim".
A coisa interessante nesses ritos é que sempre depois da resposta se segue um "haaaam!! Eu sabia que você era da vovóóó!!!". Então pra que perguntou? Vai entender.

Agora as revelações fantásticas são sempre seguidas de uma expectativa por parte dela de nos supreender, embora sejam sempre as mesmas. Como já falei, é uma senhora de mais de 80 anos que tenta sempre agradar. Ilustrarei uma revelação dela.
Esse domingo fui a casa dela para buscar um pacote deixado por meu pai. Chegando lá a encontro com minha priminha linda e querida assistindo ao Silvio Santos.
Ela me pergunta coisas normais, me pergunta de quem eu sou - basicão, e fica comentando que não tem nada de bom na TV. Aí depois de um tempo digo que está tarde e que irei para casa, ela me pede um favor, pede para gravar um CD pra ela.
Aí ela mostra e diz que o cara tem a voz do Roberto Carlos, e que meu pai e meu tio não gostam da voz do Roberto Carlos. E aí vem a revelação:

- Mas ele é seu parente meu filho! Sabia? É, Roberto Carlos é parente nosso, e eu disse isso pro seu pai mais seu tio (jeito dela falar).
- É mesmo vó? Legal.

Tadinha, desde que me conheço por gente eu já sei que o Roberto Carlos é meu parente, mas ela sempre conta com aquele brilho no olhar e aquela ansiedade em querer surpreender. E claro, não sei daonde ela tirou que Roberto Carlos é nosso parente. Nunca ousei perguntar também.

Essa é a minha vó e eu sou o seu lindo cabrito.